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Posts archive for: April, 2006
  • Os Putos da Segunda

    145/81 Loio

    O "Marciano" tinha o azar de estar geograficamente situado ao pé da minha cama o que tinha os seus prós e contras. O balanço final só ele pode faze-lo, no entanto lembro-me de alguns casos que talvez possam "ajudar" ao juízo:

    Nas noites de frio e quando estudava até tarde normalmente acordava o Marciano para me ir buscar um copo de agua; "ocasionalmente" também tinha que esticar a minha cama de manhã. Contudo, era dos poucos que eu autorizava a estudar na minha mesa e de quem me lembro de confiar bastante bem sendo um puto muito atinado.

    Dito isto, um belo dia antes de partirmos para a nossa viagem de curso, a malta graduada resolveu beber uns valentes copos no "meu canto", ora o Marciano aproveitando-se da sua situação geoestratégica e sem nos apercebermos acabou com o resto das garrafas.
    Bom, não sei quantos putos mais também aproveitaram e beberam, mas que o Marciano dormiu bem lá isso dormiu.

    145-81 Loio

    PS: Gosto da assinatura comentada "Chefe de Turma"
    PSS: Marciano, se calhar também vais dizer que a tua alcunha no entanto mudou para "Tete" quando passas-te para o 3' ano. ;-)

  • Traumas e Estigmas

    Apresentação à Alvorada.

    Cortesia da AAACM A apresentação à alvorada era (e ainda é?) um castigo algo psicológico que punha à prova a nossa destreza e desembaraço na altura de acordarmos.
    Para os que não andaram no Colégio ou que em virtude da idade estão mais "esquecidos", o castigo consistia em assim que acordássemos, fardarmo-nos o mais depressa possível e apresentarmo-nos ao graduado que tinha dado o castigo. Tudo isto tinha que ser executado para além de ter que cuidar da higiene pessoal, de abrir a cama, dobrar o pijama, esticar os lençóis, e principalmente sem chegar atrasados à formatura do pequeno-almoço.

    Este castigo tinha varias intensidades que iam desde a simples apresentação fardado com a farda interna (de Cotim) ate alternar com a farda de saída (de Pano). Era a chamada apresentação de Pano-Cotim-Pano. Por vezes também, e consoante a gravidade da "infracção", este castigo poderia prolongar-se desde 1 manhã até uma semana. Adicionalmente, e consoante "o numero de suspeitos" a apresentação poderia ser individual ou colectiva.

    O truque para "suavizar" este castigo assentava em duas tácticas: A primeira era a "jogada de antecipação" isto e', alguns dormiam já semi-vestidos para ganhar uns segundos preciosos ou a camisa era despida ao mesmo tempo que o blusão e religiosamente pendurada no armário. A segunda era a "jogada de ilusão" (a minha preferida) isto e', partindo do princípio que o graduado estava ferrado a dormir ao toque de alvorada, era então possível vestir só partes da farda de Pano/Cotim: só o dólmen sem camisa ou chinelos versus sapatos de sair. Estas combinações davam geralmente uma grande risada para os observadores. Como e' óbvio esta táctica não funcionava em apresentações colectivas.

    Este trauma de saltar da cama e ter que me despachar em 3 minutos ainda dura até hoje seja quando me esqueço do despertador ou fico na sorna até mais tarde. Como tal, sempre que necessário lá estou eu a sair a correr para o trabalho só com três botões apertados, o nó da gravata quase por fazer e os cordões dos sapatos por apertar. Esta rapidez matinal foi sempre algo que intrigou todos os meus filhos, que não conseguem "desemerdar-se" com 10 minutos para se lavarem, vestir, comer e correr para escola. Mas também só quem andou no Colégio é que está treinado para fazer isto.

  • Quem Tramou o Pavilhão de Desenho?

    Tenho andado há uns tempos para escrever algo sobre um dos meus edifícios colegiais preferidos: O Pavilhão de Desenho (e Trabalhos Manuais). Só que estes já não existem. Sobra-nos apenas a memória das salas aula solarengas em que a luminosidade intensa se confundia com a imaginação de cada um levando-nos a criar as nossas "obras-primas".

    Com o passar dos anos cada vez penso mais quão grande foi a asneira de terem apagado o velho pavilhão do mapa colegial. Não me interessa saber dos motivos ou em nome de que grandiosa visão o atentado foi cometido. Para mim o pavilhão era mais do que um edifício, era um lugar com alma própria que tal como os claustros e as suas placas comemorativas, continha alguns testemunhos da passagem pelo colégio de numerosas gerações de alunos em forma dos seus melhores trabalhos. O pavilhão era ao mesmo tempo uma fonte de inspiração e de reflexão pois os trabalhos expostos (uns já com 20 a 30 anos de idade) serviam para nos aguçar o apetite e tentar fazer melhor e por outro lado era um elo palpável de ligação a outros tempos.

    Havia uma serenidade própria no edifício e foi pena que ninguém tivesse realizado isso, ainda que tivesse sido só para tapar o "caixote Gulbenkian".

    pavilhao-de-desenho

    As duas salas de desenho situavam-se no bloco da frente e o acesso era feito por um hall de entrada em forma de corredor cuja característica principal no inverno era as longas linhas de cabides com os capotes colegiais pendurados. O nosso material de desenho era arrumado numa caixa de alumínio (357-Chagas, deves encontrar este item na tua lista do enxoval) que a par da famosa régua em "T" e da "Prancheta de madeira" eram depositados nuns armários enormes com portas de correr verticais.

    Trabalhos-Manuais

    O acesso á sala de trabalhos manuais (bloco traseiro) era feito pela porta ao fundo do referido hall de entrada. Trabalhar nesta sala, era praticamente como que trabalhar num museu. Não tinha o último grito em tecnologia e outros desenvolvimentos do tempo, mas deste modo também não eram "trabalhos manuais".

  • Os Putos da Segunda

    294/81 Francisco

    Como referi num artigo anterior a respeito das alcunhas colegiais, todos os cursos tem um Macaco. O curso de 81 não fugiu a' regra. O 294 (Macaco), a avaliar pela sua prosa, tinha um certo orgulho em ser o Macaco senão vejamos: assina "bla'" e com uma "tentativa" de desenhar uma banana.
    Mas o que me chamou a' atenção foi o facto de ter declarado que ainda não tinha telefone.
    Como dizem por aqui em terras de Sua Majestade: "...uma vez Macaco, Macaco para sempre"!!

    294-81 Francisco

  • Traumas e Estigmas

    O Corte de Cabelo

    Cortesia do 132 Ferreira -AAACM A perspectiva de uma ida ao "Ramalho" era o suficiente para causar pânico entre as hostes daqueles que tinham um apreço muito especial pela região capilar da parte superior da cabeça.

    As regras eram bastante simples: o cabelo não podia tocar nem nas orelhas nem no colarinho da camisa. Tudo o resto dependia dos factores pessoais de "auto-estima".

    Uns de nós não se estavam para incomodar, e qualquer coisa entre a máquina 1 e 5 servia. Outros, eram mais "selectivos" e a escolha recaía entre o Ramalho e o Sabino (o homem que tinha uma unha de "10"cm): a unhaca. Invariávelmente, o corte saía o mesmo e passava despercebido dentro do Colégio, mas quando saíamos para o exterior a coisa era diferente, a malta civil julgava que tínhamos sido raptados por extraterrestres e devolvidos a Terra por mau funcionamento. Adicionalmente, o factor "atracção feminina" caía para virtualmente zero, independentemente do número de flik-flaks na classe especial, das medalhas recebidas ou das botas de montar da escolta,... pura e simplesmente não pegava nas festas do Liceu Francês ou da Escola Alemã.

    Havia ainda a terceira categoria: a categoria "Calheiros". Os cinco dias da semana colegial revolviam á volta da expectativa de conseguir sair para fim-de-semana com o corte de cabelo o mais perto possível da normalidade civil. Eram verdadeiros sofredores. Se a recompensa de "sacar" umas amigas ao fim de semana era imensa, já o stress da perspectiva de ser apanhado "de cabelo comprido" não era menos grande. O 68-Calheiros, epitomisava este grupo. As saídas ao sábado eram preparadas com o rigor e precisão militar digno do "Grupo de Operações Especiais": o cabelo era molhado á volta das orelhas e uma vez o barrete posto não saía mais, um de nós era nomeado para distrair o Cmdt de Companhia na hora certa e por aí fora. O momento crucial eram os 10 segundos que levavam a sair da formatura até a vitrina dos cartões onde o Cap. Caetano permanecia de vigia qual ave de rapina. Com a proximidade de um Chá Dançante, a adrenalina aumentava (para a "ave" e para a "presa") e o prospecto de uma ida antecipada ao Ramalho para uma carecada era algo bastante doloroso.

    Ainda hoje, o estigma da ida ao "Ramalho" existe em todos nós. Uns, talvez já com menos cabelo que outros por força da idade, não se interessam onde ou quem lhes corta o cabelo, outros ainda são capazes de andar 50 km para "aparar" o cabelo no barbeiro certo. Quanto ao magnetismo feminino: as medalhas, os flik-flaks e as botas de montar continuam a não contar!!

    Contaram-me que na altura da tradicional foto nas escadas da Enferma houve alguém (...da categoria Calheiros) que não quis pôr o barrete para não estragar o penteado. Abençoado !!

  • Finalmente a Placa.

    Foi com imensa pena que não pude estar presente no ano passado, no descerrar da placa comemorativa dos 30 anos de entrada para o Colégio. Extrema nostalgia á parte, ao ver as fotografias tiradas pelo "xulografo" de serviço não pude deixar de comparar com os "piratas" de outros tempos no mesmo local e á mesma hora 27 anos antes.

    Para contar o número de anos, ao contrário de todos os outros cursos, o nosso optou pelo sistema sexagesimal de medição do tempo ao invés de decimal, dai os 30 ANOS. O sistema sexagesimal é um sistema de numeração posicional de base sessenta. O número 60 tem a vantagem de ter vários divisores (1, 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20, 30 e 60), o que facilita o cálculo com fracções. Note-se que 60 é o número mais pequeno que é divisível por 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

    Para que não se diga que foi obra do acaso, mandamos vir especialmente de Paris a elite da Academia de Matemáticas Avançadas da Sorbone a qual sugeriu existirem vestígios do sistema sexagesimal na medição do tempo Colegial. "Há 24 horas num dia - o tempo que leva a Terra rodar 360 graus, há 60 minutos numa hora e 60 segundos num minuto."

    Por isso pessoal de 75, ...em vez de esperarmos pelos próximos 5 ou 10 anos para nos encontrarmos e "carimbar" outra vez a nossa placa, podemos (se quisermos) faze-lo todos os anos e beber uns copos á saúde do Colegio.
    Curso de 75

    Para ver mais detalhadamente os "piratas" de 75 carregar aqui: a malta do curso de 75 (3 ano)

    Para os Arquitectos, Engenheiros, Professores de Educacao Fisica que fizeram da placa uma realidade o meu grande bem hajam de agradecimento.

  • Semana Campestre.

    Não pude de deixar de ficar alheio ás vicissitudes militares dos artigos recentemente publicados em blogues Colegiais nomeadamente a Semana de Campo e a Pista de Obstáculos e observar como mudaram as coisas.
    A nossa primeira experiência militarizada no exterior do Colégio registou-se no 5 ano. A julgar pela indumentária usada deve ter sido também a primeira experiência dos oficiais do corpo de alunos, senão vejamos:

    1- O uso do barrete colegial (especialmente concebido para camuflagem na Tapada Real)
    2- O uso da espingarda Mauser (não vá a população local julgar que o 25 de Abril está de volta)

    Garanto-vos, que andar a procura do Delta 174 - SOBRAL DA ABELHEIRA, com uma Mauser ás costas em Junho não é das experiencias mais agradáveis para um rapazola de 15 anos. Ao passarmos pela Foz do Lizandro em que os teenagers locais da escola C+S de Mafra se banhavam e divertiam com o sexo oposto, eis que o 75-Monteiro brada aos céus no seu jeito típico gritando: Porquê nós? Grande risada e lá seguimos.

    Semana de Campo 79-80

    Aqui fica a foto. A julgar pela nossa cara, devemos ter encontrado o Sobral da Abelheira mas não o Delta 174.

  • O Semita anda por aí !

    Isto de viver no estrangeiro tem o efeito de ampliar as boas recordações. Especialmente quando se trata dos tempos colegiais.

    Eis que no final da semana passada, em Estocolmo, quando me dirigia para o trabalho deparei-me com uma visão do passado: Um carro igual ao do Semita.
    Ainda não me tinha ocorrido que vivendo no pais dos Volvos era mais que provável encontrar um ”Semitomobile”. Fui trabalhar com um sorriso e a recordar mais umas peripécias que ficaram para a história, como a do Martelo que não parava de rir quando foi chamado ao quadro e o 500 que ainda apanhou por cima por tentar ajuda-lo.

    semita

    No dia seguinte não resisti e levei comigo a máquina fotográfica para registar o” ícone” semítico, … antes que me esqueça!

  • Os Putos da Segunda

    340/81 Prates

    Com o Prates (Gorda), inicio uma série de curiosas perspectivas dadas pela malta mais nova de quem fui graduado.
    Depois de o Prates me ter agradecido por escrito as "tareias" que lhe dei,... eis que venho a saber que "a Gorda" é o Comandante da Divisão de Investigação Criminal da PSP. Penso que tudo isto teve origem na bolama que lhe palmavam, mas pelos vistos o trauma continua... !! Um grande bem hajas.

    340-81 Prates

    As cidades de Lisboa, Porto e Setúbal são as mais violentas do país, seguindo-se-lhes Braga, Faro e Coimbra, afirmou o comandante da Divisão de Investigação Criminal da PSP, subintendente Dário Prates.
    "Só na área de intervenção da PSP registou-se, de 2004 para 2005, um acréscimo nos assaltos a bancos na ordem dos 167 por cento", disse Dário Prates, salientando que, da totalidade da criminalidade participada àquela polícia, 37 por cento terá sido praticada com recurso a armas de fogo. "O peso da violência na criminalidade geral foi, no ano passado, de 9,2 por cento, enquanto em 2004 se cifrava nos 8,6 por cento", acrescentou."

    in jornal O Público, Março 2006

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