Search blog.co.uk

Posts archive for: May, 2006
  • Instrução (Quase)Militar

    Patio-da-Enfia Nos anos 80, passado o 25 de Abril e o período revolucionário do final da década de 70, o Colégio assistiu a uma série de mudanças na Instrução Militar que foram desde a introdução da famosa pista de obstáculos até à ginástica de aplicação militar, curso de pára-quedismo, etc.

    Uma curiosidade que sempre me intrigou foi, por um lado, o facto de esta instrução Militar ser providenciada por oficiais milicianos (que tinham metido o "xico") e muitas das vezes comandados em part-time por alguns oficiais do quadro permanente,... e por outro lado, as simples 2-3 horas semanais de IM, à parte das aulas teóricas que até eram praticamente as mesmas do 5´ano ao 8´ano.

    A meu ver, pouco ou nada se fazia na componente de educação militar propriamente dita, especialmente na área de liderança ou pelo menos alinhar mais a vocação da malta em relação a um futuro nas Forças Armadas através de introdução de mais Educação Militar (que é algo diferente de Instrução Militar).
    Penso que regime militar só não chega, e isto creio eu, explica porquê 4 ou 5 finalistas do meu curso se tenham decidido pela carreira Militar.

  • Andar Para Aqui a "Blogar"!

    barretina3 Há praticamente 1 ano atrás que resolvi que tinha entrado oficialmente na chamada "crise da meia idade". Não!...não comprei um Porsche, não pintei o cabelo nem fugi com uma loira de 20 anos (apesar de agora viver no pais delas). O único sinal exterior de crise é a prancha de surf que comprei no Verão passado, obviamente uma longboard dada a minha idade, e na qual tenho tentado manter-me desastradamente em pé (qual Patacho nas aulas de equitação) para grande gozo dos meus filhos e demais familiares. Mas irei lá chegar.

    Por outro lado, um dos sinais interiores de crise é o facto de começar a repetir-me demasiado nas minhas histórias originando comentários do tipo:
    -Lá vem ele outra vez com "no meu tempo" ou "quando eu andava no Colégio".

    Assim sendo, e antes que a tia Alzheimer venha tomar conta de mim decidi aproveitar a explosão "blogal" e escrever sobre o Colégio que vivi e como o vi,... para quem estiver interessado.
    A 30 Dezembro de 2005, sentei-me à noite com uma garrafa de vinho do Porto mais o meu laptop e meti-me ao trabalho. O leitmotif do Quinze de 75 é "...antes que me esqueça" e impus-me algumas regras editoriais:
    1) Não escrever "no meu tempo"
    2) Não escrever muitas palavras em Inglês
    3) Ver o lado cómico (...e cósmico) da situação
    4) Divertir-me
    Segundo os dados do meu "service provider", tenho tido uma media de 20 visitas por dia como resultado das cerca de 3000 visitas acumuladas desde Dezembro. Isto pode dizer muita coisa e pode não dizer nada, como tal dou muito mais atenção aos emails que recebo da malta: Obrigado Canavilhas (119/56) e "Pencas" (447/75) entre outros, assim como aos comentários, obrigado Chagas (357/77),... e Alfredo !!

    ... Continuarei até não ter mais nada que contar (nem que última coisa seja a minha perspectiva de teenager acerca da "Júlia").

    Obrigado e bem hajam aos que por aqui passam!

  • Sabedoria Colegial

    O estudioso, cortesia da AAACM Aqui há Gato!
    Um dos professores de Matemática do nosso 6° ano era o temido Prof.Falcão. A sua fisionomia e sarcasmo eram mais semelhantes à imagem de um abutre do que propriamente à de um falcão.
    Certo dia durante uma das suas aulas, o Gato (164) numa chamada ao quadro, chegou à conclusão de que "0-3=0".

    O Falcão, em estado de pré-apoplexia exclamou:
    - Oh rapaz! Isso está completamente errado! Então como é que pode ser Zero?

    O Gato, em plena "sabedoria felina" exclamou:
    - Está correcto! E' Zero,... Se o professor tem zero laranjas como é que pode tirar de lá três laranjas?

    O Falcão, indicando eminente explosão, vociferou bradando aos céus:
    - Mas que ignorância, vocês não sabem álgebra!

    O Gato, possivelmente a tentar provar a sua teoria retorquiu:
    - Professor! Se quiser também dá com morangos!

    Aparentemente o Gato foi salvo pelo toque da campainha. Ainda hoje, quando nos encontramos há sempre uma alusão à álgebra do Gato.

  • Os Putos da Segunda

    347/81 Cruz

    Outra raridade do meu último calixto é o "Pinóia". Senão me engano o Pinóia era o mais pequeno do meu pelotão como tal sempre à mão de semear nas formaturas e nos desfiles. O Cruz foi sempre um moço muito calado e o seu ar era de permanente susto salvou-o de alguns apertões. Contudo, não pude deixar de reparar nos seus óculos altamente "retro" que hoje em dia causariam um enorme successo,... se calhar como deputado na Assembleia da República!

    - Pinóia!! Se andas por aí no cyber espaço, escreve e conta-me acerca das bocas que eu mandava pois a memória anda a falhar-me.

    347-81 Cruz

  • O Último 3 de Março.

    ... Ao contrário do último 3 de Março em que algum sentimentalismo pontual foi "apanhado" pela televisão, não me lembro de o mesmo se ter passado com a rapaziada do meu curso. Como tal, não pude deixar de visitar a minha "Torre do Tombo" e procurar algumas pistas que me avivassem a memória do meu último 3 de Março. Eis senão que encontro a dita "pista" e também o género que espelha o estilo blasé do meu curso (note-se o granel como pano de fundo).
    Resumidamente, deve ter sido algo como: -Oh Delgado, tira aí uma "chulografia" à velhice! O Shor Delgado tirou e aqui está.

    Graduados da 2#

    Da esquerda para a direita: (2*)595-Viegas, (2*)343-Simões, (Cmdt2a)551-Maia Gonçalves, (3*)15-Freitas e (2*)9-Costa.

  • Traumas e Estigmas

    Cabular

    aaacm4 Ao contrário de grandes camaradas meus, mestres nesta área, EU ERA MAU. Senão vejamos: cabular é uma coisa que requer arte. Quais eram as disciplinas em que eu precisava de cabular? Tudo o que andasse pela área das letras. Ora, no meio de uma folha que já está cheia de palavras, é fácil um tipo perder-se quando está a olhar para ela pelo canto do olho. Resultado: eu não conseguia copiar nada. Alguns camaradas meus tinham sistemas elaboradíssimos de cábulas. Cábulas escritas em tiras e enroladas com elásticos à volta de pilhas… cábulas coladas nas mangas da camisa. Enfim, havia toda uma vasta gama de soluções criativas. Uma vez juntei-me a esse grande movimento criativo, colando uma cábula para um teste de História no francalete do barrete colegial. O que é que aconteceu? Deu-me tanto trabalho escrever o raio da cábula naquele pedacinho de papel que eu acabei por decorar tudo o que estava lá escrito – resultado: quando veio o teste, reparei que me lembrava de tudo o que tinha escrito na cábula e acabei por não precisar de olhar para ela.

    O Prof. Perdigão (Ciências Naturais/ Biologia) dizia que fazer cábulas era uma das formas mais eficazes de estudar. Isto porque nos concentramos em compilar a matéria das aulas e fazemos mais ou menos um resumo de acordo com a nossa compreensão dos assuntos ensinados. Por isso, dizia "Copiem, façam cábulas, escrevam tudo miudinho em papéis pequeninos. Quando entrarem no exame, a primeira coisa que fazem, é deitar esses papéis no caixote".

    Não devo ter cabulado mais do que uma dúzia de vezes. Nunca fui grande utilizador de cábulas (pelo menos que me lembre) e não é que não tenha sentido a necessidade em determinadas alturas. A questão é que eu sempre achei que isso era uma prova de falta de autoconfiança, uma deslealdade. Sempre pensei que a satisfação de obter uma boa nota através de cábulas era muito inferior ao de obter uma boa nota por "meios regulamentares" e que cabular era enganar-me a mim mesmo. Evidentemente, que por tudo isto culpo o Colégio. É que toda a educação que me deu não me tornou numa pessoa melhor, apenas me tornou numa pessoa que precisava de cábulas mas que se sentia mal por isso.

    _________________________
    Para os mais afoitos, aqui fica uma novidade:

    Baller Pen“The Baller Pen is currently the hottest academic accessory you can own.
    Secretly pass messages in class. Study on the go without taking out all your notes.
    The baller pen has a 6.5 inches; retractable sheet. The front side of the sheet is UV coated for durability and is perfect for fine tip markers and sticker pictures. The back of the sheet is erasable for multiple uses which makes it great for pencils.”

  • PJ de Outros Tempos...!

    O Paga Já ...é outro dos pequenos tópicos da vivencia colegial cuja origem perde-se nos tempos. Há uns meses atrás descobri em casa da minha mãe esta verdadeira peça de "arqueologia colegial": uma nota de quebras do tempo do meu pai (388/49). Como tal, razão para tecer alguns comentários sobre este "papiro", senão vejamos:

    388 PG

    1) Copo para vinho: Leva-me a querer que naquele tempo cada um teria à mesa um copo de vinho e outro de água. Já para não falar do facto de que os "Ratas" pelos vistos podiam beber vinho.
    2) O preço do Copo: 2$20 (em 1949) só podiam ser de cristal.
    3) As rubricas "Quebrou:" e "Sujou:": Ora aqui está uma bela ideia para os tempos de hoje que, a avaliar pelo estado das toalhas após as refeições (pelo menos na minha altura), resolveria certamente alguns problemas de gestão de tesouraria do Colégio.

    ...priceless!!

  • 1975 - O Ano de Todos os Perigos!

    Entre 11 de Março e 25 de Novembro de 1975, Portugal viveu um período que ficou para a História como o PREC - Processo Revolucionário em Curso.
    Durante este período de "brasa" aconteceu de tudo e Portugal esteve mesmo à beira de uma guerra civil. Foram golpes e tentativas de golpe (da direita e da esquerda); nacionalizações (da banca, dos seguros, do sector primário, das empresas de transportes); início da chegada dos retornados de África; as primeiras eleições livres; destruição de sedes de partidos; manifestações populares "non-stop"; assinatura de mandados de captura em branco; saneamentos políticos; sequestros; atentados como rotina...
    contentores dos retornados Como sobreviveu o Colégio? Ainda esta por se saber.
    As aulas só começaram em fins de Novembro de 75, pois o internato tinha servido para alojar os retornados das ex-colonias e os seus haveres ainda se amontoavam na parada que mais parecia o Cais de descarga de Alcântara. Por pouco teria havido dois cursos de entrada em 76.
    Recordo-me que aprendi a marchar por entre estas colunas enormes de caixotes e contentores. Não havia formaturas para o pequeno-almoço - era como se vivêssemos num hotel - arrastávamo-nos calmamente para o refeitório e depois para as aulas. A disciplina de Historia fora substituída por Estudos Sociais e a demagogia da altura era injectada consoante a orientação política dos professores.
    No dia 25 de Novembro de 1975, o então Cmdte de Companhia, o Cap Pacifico dos Reis reuniu-nos no geral e avisou que estava em curso uma revolução mas que não nos devíamos preocupar!!
    Este foi decerto um dos pontos mais baixos que o Colégio atravessou desde 1803, em que a sua própria existência esteve em perigo.

    Quem salvou o Colégio? Provavelmente divina intervenção mas quem quer que tenha sido teria certamente uma Barretina na lapela.

About me
Sugestões são benvindas

Footer:

The content of this website belongs to a private person, blog.co.uk is not responsible for the content of this website.