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Posts archive for: July, 2006
  • Ir a Banhos para a Feitoria

    Com a eminente época balnear não pude deixar de ficar alheio ao pensamento da famosa Feitoria e dos períodos estivais que por lá passei.
    O verão (ou parte dele) passado na Feitoria não era mais do que um prolongamento do ambiente colegial, só que desta vez ao invés das fardas e das formaturas, tínhamos o tradicional fato de banho preto e éramos deixados com suficiente tempo livre para nos "expandirmos", de resto havia sempre uma certa ordem e método característicos do Largo da Luz. Cortesia da CM de Oeiras
    Curiosamente este modelo de veraneio apelava mais aos novos do que aos mais velhos onde uma festinha semanal tipo chá dançante não era suficiente para compensar os altos níveis de testosterona existentes. Contudo havia sempre um plano B, isto é, o convívio com as filhas dos oficiais, dos professores e demais empregados da casa. O pessoal era lixado, e em bom-tom colegial havia distribuição de alcunhas para todas a donzelas. A mais mazinha de que me lembro era uma a quem chamávamos a "pré-histórica". A Feitoria era também um prospecto bastante económico para as famílias com mais de um filho no Colégio e daí as memórias das aventuras dos irmãos Canuto, dos Caetanos, dos "Piscas", dos Mateus,... e muitos mais de que a memória me falha agora.

    A parede rochosa que descia ate à praia era o local onde a malta mais nova praticava autentico "rock climbing" e como tal um dos sítios favoritos de diversão, por vezes havia a surpresa de apanharmos uns "casais de pombinhos" em plena actividade de procriação, o que dava azo a grande risada e retirada em passo de corrida.

    As grandes saídas "em rebanho" eram feitas ora para a piscina do Forte S. Julião ou para a praia adjacente, a Praia da Torre. O colegial mais o seu fato de banho preto de risca branca estilo "Armani", não enganava ninguém quanto às suas origens e muito menos quando em plena praia se originava espontaneamente uma tradicional sessão de flic-flacs com piruetas seguidas de mortais invertidos. Clássico.Ir-a-Banhos-(3)
    Os tempos eram outros, a internet e os telemóveis de todos os tamanhos e feitios 2G, 2,5G, ... 3G não existiam nem sequer no dicionário.
    Mas nunca deixamos de nos divertir e tenho muita pena que o meu curso não tenha feito o estágio de graduados na Feitoria pois a última vez que por lá passei foi nas férias do meu 3' ano em 78.

  • The Good, the Bad and the Ugly!

    O TABI

    claustros Se havia um professor que tinha o dom de despertar a veia trocista do colegial mais pacato, esse professor era decerto o Tabi.
    O Tabi era professor de Inglês da vasta maioria dos "habitantes" dos claustros, o que lhe conferia um alto risco de impopularidade, pois havia sempre a probabilidade de fazer algo (ou não) que originava uma boiada,... digamos que esse era normalmente o caso.
    Qualquer alusão ao verbo "to be" ou suas variantes que não fosse apropriadamente usado no contexto da aula era razão suficiente para agressão física imediata. Mas o colegial nunca se deixou intimidar, e o grito de guerra mais popular a seguir ao Zacatraz e ao Ramalho era o famoso:

    "Óó Tabiii chupa aquiiii!!"

    Um certo dia, no longínquo 2E, o Felgas (498) numa tentativa audaz de diversão lembrou-se da linguagem dos Ps, ou seja, a cada sílaba de cada palavra acrescentar um P mais a última letra dessa sílaba. Assim sendo o impropério ficava:

    "Ópó Tapabipi chupupapa apaquipi".
     

    Esta estratégia resultou durante algumas aulas, mas o problema era que isto dito muito depressa fazia a malta rolar no chäo a rir às gargalhadas o que fez o Tabi desconfiar e consequentemente começar a distribuir autênticos golpes de Karaté.  
    Quanto ao ensino de Inglês, bem que o Tabi tentava, mas as aulas nunca deixaram de ser em Português com um bocado de Inglês à mistura.  A isto era adicionado o surrealismo dos laboratórios de línguas (MAAG) em que as gravações em sotaque americano começavam sempre com: "American Language Course". Como tal não era de estranhar, alguma relutância na malta em adoptar a língua de Shakespeare como a nossa 2a língua.

    Mais tarde já no 6/7 ano, por vezes passando nos claustros ainda se podia ouvir a malta mais nova por detrás das colunas:   "Ó Tabiiiii ... ..."

  • The Wall

    Quando entro nos claustros do Colégio a primeira expressão que me ocorre é em Inglês: "The Wall". Ao contrário do tema dos Pink Floyd em que "Wall" representa as barreiras imaginárias que construímos para nos isolarmos da sociedade e de quem nos é querido,... já a nossa "parede" simboliza, e testemunha, a nossa união em torno dos valores que aprendemos durante o tempo que por lá passámos.

         Cortesia do 300/75 Carvalho
            "Mais uma placa na parede"

    Da próxima vez que forem ao Colégio, façam-no ao fim da tarde e de preferência num dia de férias de aulas. Passem pelos claustros e detenham-se por uns momentos a contemplar as placas alusivas às gerações e gerações que lá viveram.  Este local está tão carregado de tradição que se consegue ouvir ao longe as vozes de comando no início dos desfiles, o som das botas a baterem com os calcanhares, a mocada e os seus discursos inflamados, a malta na correria para as aulas ou a boiada àquele professor menos popular.

    Num artigo recente do jornal inglês "The Guardian" sobre o famoso Colégio de Eton, lia-se no final: "Surely few schools can tap such rich veins of history".
    É verdade! E o Colégio Militar é uma dessas escolas.

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