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Posts archive for: November, 2006
  • O Pica no Picadeiro

    75-Pica
    O 75-Monteiro era mais conhecido pelo "Pica". O Pica era um rapaz bastante curioso, pois gozava de uma sapiência incrível acerca de artes marciais, este conhecimento da cultura oriental era sempre acompanhado por relatos das suas mais variadas façanhas aos fins-de-semana usando matracas e outras armas cujo nome acabava em "..jitsú" ou "...manchú".

    Esta paixão porém, era inversamente proporcional à arte do Marialva e como tal, para o Pica, as aulas de equitação eram um verdadeiro inferno. Durante todo o 5'ano assistimos à mesma rotina de pânico semanal do 75 e que hoje recordamos com grande saudade:

    A angústia começava na noite anterior, em que o 75 tinha que arranjar umas botas de montar emprestadas, por esta altura já dava para notar o seu ar miserável qual condenado à morte à procura de uma corda para se enforcar.

    A aula de equitação era sempre à 4a feira na 2a hora e depois de uma aula de Matemática, cujo rendimento era práticamente nulo, especialmente para aqueles cujo à vontade com os solípedes era algo periclitante. Era aí então, que o Pica começava o seu processo mental de auto-destruição, agoirando em voz lamentosa - "vamos todos morrer!!" e "é hoje que vou ficar inválido!!". Obviamente, que ninguém queria estar ao lado do Pica nestes momentos, para não se deixar levar por vibrações negativas a não ser o 190-Garnacho que por vezes comungava do mesmo espírito de pânico.

    Já na sala que dá entrada para o picadeiro, a que ele chamava a ante câmara da tortura, o Pica ficava branco que nem cal e mal articulava uma palavra. Normalmente, e num acto de camaradagem misturado com algumas ameaças aos mais franzinos da turma, o Pica escolhia a sua montada, isto é, uma das "cadeirinhas". Até que um belo dia o Dores topou e disse: "Tu! Hoje montas o último da fila (o Patacho)."

    Ora montar o Patacho, era sinónimo de andar a comer serradura durante os 50 minutos da aula, e o 75 lá seguiu resignado ao seu eminente destino de cavaleiro voador. Penso que nesse dia o Pica conseguiu o impossível, pois com os nervos esqueceu-se de apertar a cilha correctamente e foi ao chão ainda o Patacho estava parado, a partir daí em diante assistimos a uma verdadeira aula de karaté,... dada pelo Patacho!

    Para mim, a equitação teve sempre um mistério: é que em cima de um cavalo éramos todos mais iguais, ou seja, os mais franzinos pareciam mais fortes e desenrascados e os mais malandrões passava-lhes a malandrice e, durante aqueles 50 minutos pelo menos, já não eram tão valentões como faziam querer parecer.

  • Os Bons, os Maus e os Feios !

    O MENAU (II)

    Dr-Miguel-Pinto-de-Menezes Mais uma volta ao "arquivo colegial" e eis que descubro uma fotografia do grande Menau.
    Quando tentei descrever o Menau num post que publiquei há uns meses atrás, fiz baseado na minha memória, e devo confessar que era exactamente esta a imagem que tinha, e tenho, do grande ícone.
    A última vez que estive com o Dr. Pinto de Menezes, foi a tomar um café ao pé do Técnico por volta de 86, e em que ele fez questão de oferecer. Falámos um bom bocado (lembro-me até de que faltei à maldita aula de Electromagnetismo), contou-me então que estava a montar um externato colegial com fundos europeus e que tinha saudades do Colégio sobretudo dos últimos anos em que segundo ele, dando uma das suas gargalhadas "éramos todos uma cambada de mafarricos",..."cum carago", mas excelentes rapazes!

    Aí está a prova de que uma fotografia vale mais do que 1000 palavras.

  • Os Putos da Segunda

    304/81 Costa Ferreira

    Obrigado, Tibinho!

    304---Costa-Ferreira

  • Traumas e Estigmas

    A Bolama
     aaacm2
    Tecnicamente falando, no Colégio era (e ainda é?) permitido a qualquer um "apropriar-se e usufruir" de bens consumíveis de alto teor calórico sem a devida autorização do (im)prudente proprietário. Por outras palavras: Palmar bolama.
    Uma curiosidade interessante deste "costume" era a relação "fornecedor - intermediário - consumidor".

    O fornecedor, normalmente na pessoa da mãe extremosa lá de casa, sempre achou que as refeições colegiais estavam aquém das unidades diárias recomendadas pela Organização Medica Mundial e o colegial também nunca se fez rogado. Daí que, aos domingos à noite, a vasta maioria carregava no saco colegial não só os livros e cadernos com o TPC completo a preceito, mas também "a carga calórica adicional". E lá ia, o potencial consumidor, com "a carga pronta e metida nos contentores, adeus aos meus amores que me vou p´ra outro mundo".
     
    Ao aproximar da porta de armas a tensão subia, pois o pessoal sabia que ao trazer bolama para o Colégio corre o risco de ficar sem ela e todo o esforço de manufactura e transporte terá sido em vão. Uma vez passado o primeiro obstaculo havia que caminhar a distância até à camarata, distancia esta que levava uma autentica eternidade e toda ela cheia de perigos em todas as curvas tal Floresta de Sherwood.  Invariavelmente, posso afirmar que 99% das vezes, havia sempre um Xerife de Nottingham na pessoa de um graduado, e pronto,... a "entrega" estava feita pelo intermediário ao consumidor.

    Aquela bolama que conseguia passar por este posto alfandegário sem ser detectada era na maior parte das vezes devido a subterfúgios comparáveis ao trafico de narcóticos colombiano. Ele era dentro das calças - que originavam proeminências dignas de filmes classe XXX, ele era no cimo da cabeça debaixo do barrete - qual ser extraterrestre supra inteligente ou ele era nas meias - o que dava ao senhor aluno um andar de top model num desfile de modas.

    Recordo sempre com uma grande risada, que um certo domingo à noite o puto Viegas 334, usou a técnica das meias para infiltrar uma caixa de Smarties. Acontece que dita a caixa abriu-se exactamente quando o Viegas passava por mim,... e foi assim, para nossa grande surpresa, a primeira vez que vimos um colegial a cagar Smarties.

  • Um Estorninho para Jantar

    Na Feitoria falando com o,...Ossos Quem andou no Colégio por alturas dos finais dos anos 70, teve o prazer de conhecer e lidar com o Ten. Cor. Estorninho.
    O Estorninho (ex-207?), foi um dos Comdtes do Corpo de Alunos com a tarefa mais dificil de todas, pois a sua missão era a de restaurar a ordem e devolver ao Colégio o brilho de outrora, que se tinha evaporado a seguir ao 25 de Abril. Nada fácil!

    Conseguiu-o, e no seu estilo muito próprio,... falando com toda a gente e sempre com um sentido de missão inabalável. Daí que a sua alcunha era "O Secas", pois para o Colegial mais incauto, o que seria uma simples repreensão de 2 minutos tornava-se rapidamente numa dissertação pedagógica de 20 minutos.

    É claro que a malta não perdoava, e a melhor altura para evidenciar o seu estilo ultra comunicante, era durante a mocada, em que "O Ossos - o esqueleto da aula de Biologia" participava sempre com uma placa dizendo "1 hora com o Secas".

    O Colégio deve ao Estorninho o successo das comemorações do 175 aniversário e o retomar dos desfiles do 3 de Março na Avenida da Liberdade.
    Nada mau!

  • Se as Paredes Falassem

    Volvidos alguns anos, eis-nos outra vez sentados na sala de aulas onde outrora passámos grande parte da nossa meninice. O cheiro a cera é o mesmo e a austeridade patente é a mesma. O IKEA ainda não chegou a estes lados e a revolução "flat-pack" por enquanto tem ficado à porta de armas.

    Revisitando_a_sala_de_aulas
    78-Guedes, 498-Felgueiras e o 300-Carvalho

    As carteiras não enganam ninguém - quiçá eram as nossas - e neste caso funcionam como uma autêntica máquina do tempo. Levantar o tampo e apoia-lo na cabeça como que procurando Os Lusíadas, leva-nos até às aulas do Menau e a eminente chamada oral.

    As aventuras são intermináveis e todo o tempo é pouco na tradicional reunião de curso. As paredes, essas sim, se pudessem falar teriam muito que contar.

  • Azinhaga da Memória

    Cantina-do-Mota

    Na cantina do Mota podíamos adquirir três fragrâncias distintas para disfarçar a nossa explosão hormonal tão característica da puberdade: o Pitralon, o Old Spice e o Tabac. Agora, e em perspectiva temporal, somos levados a pensar - que venha o diabo e escolha - mas a verdade é que havia uma grande correlação entre a idade dos consumidores e os "brand values" que cada uma trazia.

    Estes valores, eram normalmente comunicados por reclames de cartão que o Mota diligentemente colocava em cima do balcão de atendimento da cantina. Lembro-me de que um anunciava sub-repticiamente conter essências exóticas que fariam a população feminina ficar de cabeça perdida. Aí estava uma alternativa só suplantada pelo mito do "Pau de Cabinda" que a certa altura parecia o "Holy Grail" da juventude do meu tempo.

    Quanto à correlação, penso que um deles era típico do pessoal da 2a, outro para os mais "brand conscious" era nitidamente típico da malta da 3a, e para os da 4a o que interessava era o se a mulher do poster era gira ou não.

    Qual era qual? Decerto que vocês lá sabem !!

  • A Velha Mannlicher

    M95

    O primeiro contacto com uma arma "ao vivo" acontece na primeira aula de instrução militar. Ainda me lembro dos olhos esbugalhados da malta com a famosa Mannlicher (Manelika) nas mãos,... e uns momentos mais tarde nos ombros durante a primeira sessão de manejo de arma.

    A Mannlicher foi criada pelo famoso armeiro Austríaco, Ferdinand Ritter Von Mannlicher, também conhecida como Steyr-Mannlicher M95. Esta espingarda foi fabricada no Império Austro-Hungaro na fábrica de armas em Steyr (Austria) e Budapeste (Hungria). De acordo com os conhecedores da matéria estima-se que foram produzidas entre 1895 e 1918 mais de 3 milhões de Mannlichers. Esta espingarda foi distribuída ao exército Austro-húngaro, e depois da queda do dito Império, ao exército Austríaco.

    As cunhagens com uma águia teutónica que se vêm no cano das espingardas do Colégio, são Austríacas e não Alemãs como muitos de nós fantasiávamos, de serem oriundas da 2a Grande Guerra.

    Um desfile com o rata sem a sua "Manlika" ao ombro não é um desfile, nem sequer um 3 de Março. Com o andar dos tempos ela é tão antiga como a própria farda cor de pinhão.

  • Remembrance Day

    ww1
    Muitos países têm um dia especial para lembrar aqueles que caíram em combate nas suas guerras, os EUA têm o “Veterans Day”, a França tem o “Armistice Day”,… e os Britânicos lembram aqueles que lutaram ou ainda lutam em guerras pelo seu país no “Remembrance Day”.

    A 7 de Novembro de 1919, o Rei Jorge V proclamou 2 minutos de silêncio determinando e mandando publicar que:
    All locomotion should cease, so that, in perfect stillness, the thoughts of everyone may be concentrated on reverent remembrance of the glorious dead.”

    O “Remembrance Day” é sempre celebrado no dia 11 de Novembro. Este foi o dia em 1918, que a Primeira Grande Guerra acabou, e o armistício foi assinado em Compiègne, no norte de França às 5 da manhã. Seis horas mais tarde, as armas silenciaram-se, e para comemorar esta ocasião, no Reino Unido há sempre dois minutos de silêncio às 11 horas da manhã do dia 11 de Novembro.

    Este fim-de-semana, se tiverem TV com ligação à BBC ou Sky News podem ter oportunidade de ver a seriedade e a solenidade do evento que assola todo o país. Desde a família real que em conjunto com os membros do parlamento e outros políticos de renome, homenageia no “Cenotaph”- o monumento aos mortos em combate em Londres, até ao toque de silêncio por uma gaita-de-foles numa aldeia remota nos Highlands Escoceses, toda a gente pára para lembrar "the glorious dead" com o símbolo da papoila na lapela.

    As mentes mais inquisitivas poderão perguntar: "...e daí?".
    E daí, eu respondo com um pormenor: é que na Primeira Grande Guerra, Portugal sofreu 8,145 baixas, 13,751 feridos e 12,318 prisioneiros ou perdidos em combate.
    Quantos Meninos da Luz? Não sei? Decerto que alguns com certeza e não seria pedir muito gostar de ver os seus nomes inscritos como divida de gratidão na Sala do Fundador, mais, todos os ex-alunos caídos em combate e sem falsos pruridos das guerras coloniais. Aí fica o desafio para a AAACM e seu Presidente.

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