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Posts archive for: December, 2006
  • Os Bons, Os Maus e Os Feios.

    O CARIOCA (II)

    claustrosO padre Miguel, professor de música e canto coral era outro ícone colegial dos anos 70/80, mas ficou mais conhecido pelo "Carioca".
    O problema com o Carioca é que nunca "encaixou" bem a passagem do testemunho da alcunha do seu antecessor "o verdadeiro Carioca" e,... azar dos azares a malta percebeu!

    O seus níveis de tolerância à criancice da rapaziada variavam muito e varias vezes assisti a autênticos recordes das 50 jardas serem batidos com o Carioca no encalço do puto que tinha gritado: "Oh Carioca tira a mão da minhoca!", até ao verdadeiro par de estalos para os brincalhões que haviam decidido boicotar as aulas do orfeão com versões eróticas do "Glória in Excelsis Deo".

    Devo confessar que existem pessoas que nascem com voz para cantar e outras que é para esquecer - eu incluido - daí o "escapismo" ao Carioca e à arte de cantar. O-Carioca-em-accao!Verdade seja dita que o Carioca merece o seu lugar no céu, pois sem recorrer muito "às amarelas", ensinou e aturou sozinho todo o Batalhão Colegial durante mais de uma década, com meios - lembram-se da sala do orfeão/música? - que na altura comparados aos meios de hoje seria comparar uma barraca no Casal Ventoso ao Hotel Ritz. Com tudo isto, o Carioca ainda conseguia arranjar tempo para dirigir o coro da missa de domingo transmitida pela RTP2.
    Deus o abençoe !!

  • Esta semana "oiçam umas coisinhas"!

    Um dos "prazeres" de viver a cerca de 800 km a sul do círculo polar árctico é o de ter longas noites para me deleitar a rever algumas gemas da minha colecção de discos,... de vinil entenda-se. Como tal e fugindo um pouco à linha editorial, achei por bem partilhar uma das ditas gemas.

    Live 1980/86O Live 1980/86 de Joe Jackson. É um espantoso álbum duplo gravado ao vivo em quatro tournées diferentes, em quatro anos distintos e com composições de banda diferentes. Para mim é a prova de que Jackson foi sempre muito melhor ao vivo do que espartilhado nas restrições de um estúdio de gravação. A versão de 'Look Sharp' é infinitamente envolvente e as dramáticas versões de 'Stepping Out' e 'A Slow Song' (a última com um super solo de saxofone) são uma delícia de ouvir. Brilhante, diria mesmo deslumbrante.
     
    Para a malta mais a sul - pode não ser noite às 2 da tarde e não fazer -5c de temperatura lá fora, mas se não estiver nos vossos planos a grandiosa festa da passagem de ano, permitam-me então que sugira, como dizia o outro do país dos pequeninos: 
    "enxerguem-se e oiçam umas coisinhas" !

  • Deixar falar o coração !

    000007Há precisamente um ano atrás, vivia ainda eu em Inglaterra e prestes a mudar de residência para a Suécia, quando descobri o meu ”Baú Colegial” na garagem.
    Fechado desde 83, o conteúdo depositado foi fruto de várias arrumações ao meu quarto, lá em casa dos meus pais e a que hoje agradeço não ter optado por uma solução mais fácil de reciclagem. Foi então numa noite que, com o ”baú” aberto, munido de uma garrafa de vinho do Porto e um computador, que me decidi a meter-me nesta aventura de escrever acerca da minha juventude.

    Escrever sobre o Colégio é fácil e agradável, é apenas deixar falar o coração. Assim sendo, faço minhas a palavras do ex-33/1920 Spínola, que melhor do que ninguém um dia escreveu:

    Ali aprendemos a marchar, a ritmar o passo e a sintonizar o bater dos nossos jovens corações com o coração da Pátria, simbolizada na Bandeira Nacional a que tantas vezes prestámos continência. Escrever sobre o Colégio é expressar um sentimento misto de recordação e saudade do tempo ali vivido e de gratidão à Casa onde forjamos a nossa personalidade e temperámos o nosso carácter no culto da camaradagem e do exemplo daqueles que, educados dentro das mesmas paredes, souberam morrer em glória ou, de qualquer modo, honrar Portugal no concerto da Nações.

    Um forte Zacatraz pelo Colégio Militar e lá estarei no 3 de Março de 2007.

  • Visitas de Estudo

    Creio que posso afirmar que as famosas visitas de estudo colegiais correspondiam exactamente ao que dizia no "rótulo" ou seja: visita e estudo.
    Sem a internet e o mundo dos "search engines" à mão de semear, a malta era obrigada a recorrer à gloriosa biblioteca, puxar pela cabeça e,... dar à unha.
    Lembro-me particularmente da nossa famosa visita no 4´ano ao Parque do Gerês, em que numa semana cobrimos as disciplinas de Biologia (com o Prof. Perdigão), de Geografia (com o Prof. Raposo), de História (com o grande Matos Guita) e Instrução Militar. O número de trabalhos na pós-visita foi incrível de enorme.
    Contudo, há umas semanas atrás e após mais umas voltas à “Torre do Tombo” resolvi trazer à luz do dia um dos ditos trabalhos, feito por mim e pelo 236-Lima (hoje Prof. de Ginástica no Colégio). Serviu este mesmo “papiro” para tentar explicar à malta cá de casa como se vivia “antigamente”,... não nas Citânias de Briteiros, mas em 1979.

    Visita

    A ferramenta de "reporter" mais usada nesses tempos era a famosa Agfamatic-100 mais os seus flashes descartáveis - os cubos mágicos. Estes últimos nunca chegavam a "iluminar" a dita visita pois o nosso passatempo preferido era disparar o flash na malta que estava prestes a adormecer o que criava um halo de luz nos olhos que só desaparecia passadas 1 ou 2 horas.
    Visita-de-estudo

  • Os Putos da Segunda

    375/81 Lopes

    Lá está Canário,... se os meus filhos vêem isto, ficam sem saber se eu era realmente um "punck", um "manteigeiro" ou um estudioso!! Reconheço que "marrão" teria sido um bocado puxado.

    375-Lopes

  • O Bar do Amaral

    Há uns tempos atrás reparei que no Vocabulário Colegial (ed. 2005-06), o termo Amaral significa "Bar do Pessoal". Tendo o meu curso sido um dos que ainda chegou a conhecer o Sr.Amaral no seu habitat natural, não poderia por conseguinte, deixar passar em branco esta entrada na nossa gíria interna e mencionar alguns aspectos curiosos para a malta mais nova.
    O-Bar-do-Amaral
    Em pleno período revolucionário do pós 25 de Abril seríamos levados a pensar, que a par do que se passava com muitas unidades militares pelo país fora, os alunos e sargentos poderiam também frequentar o Bar de Oficiais e Professores em estilo PREC.

    Negativo! Os alunos só estavam autorizados a entrar no Bar do Pessoal, e era neste bar atrás do balcão que "vivia" o Shôr Amaral. Este local, indicado pela seta encarnada da fotografia, era cerca de meia estrela acima das tabernas típicas de outrora, e frequentado geralmente pelos vigilantes, contínuos e restante pessoal de serviço a quem o Colégio muito deve. Aos alunos era-lhes permitida a entrada para compra de géneros alimentícios, mas não a permanência no dito bar,... a não ser que o Badalo ou o Barnabé estivessem por lá o que gerava sempre uma certa animação com piropos respeitosos e espirituosos à mistura.

    Das poucas coisas que estávamos autorizados a comprar eram as famosas pastilhas elásticas Pirata e furos na caixa dos chocolates Regina em que a bola que saía era sempre a encarnada, o que correspondia a um "comacompão" com passas de que nunca ninguem gostava, todavia e em casos de extrema necessidade havia um tabuleiro com bolos de características algo duvidosas e só para aqueles com estômago de aço. Curiosamente também, o Amaral vendia bolachas de baunilha avulso,... diria que era talvez o seu produto de maior "retorno sobre investimento".

    Penso que foi por volta de 80/81, que o Bar de Alunos finalmente abriu (com cunhagem de moeda própria) e foi assim que aos poucos, o Bar "do Amaral" se foi perdendo na minha memória.

  • A Band of Brothers

    Pensei em vários títulos possíveis para este "post", mas julgo que só o discurso de Henrique V às suas tropas antes da Batalha de Agincourt poderia fazer justiça a estes quatro ex-alunos. Mais do que um "quem é quem" ou infindáveis "listas de ex-alunos famosos", estes sim, para mim representam o Colégio de que me orgulho.

    Ases-de-Espadas

    O Batalhão de Cavalaria nr 2899 - conhecido pelos "Ás de Espadas" - teve durante a Guerra do Ultramar referências elogiosas na imprensa nacional por actos de bravura praticados no Leste de Angola e pela grande acção socioeconómica e cultural desenvolvida na zona de Catete. Por tudo isto foi o dito batalhão agraciado, colectivamente, com a medalha de prata de valor militar, a primeira atribuída nestas condições, depois da guerra de 1914/18, a um batalhão da metrópole.

    O comandante deste bravo batalhão era o, então tenente-coronel, Fonseca Lage (233/33), o segundo comandante era o major Martins Marquilhas (67/44), os comandantes de companhia capitão Costa Martins (295/50) que morreu em combate e o capitão Silva Duarte (153/51).

    O Batalhão de Cavalaria 2899, como já se disse, passou uma boa parte da comissão de serviço no Leste de Angola e recebeu do brigadeiro comandante da Zona Militar Leste (ZML) um louvor que reza assim:

    “O Batalhão de Cavalaria 2899, pela forma esforçada e dedicada como vem desempenhado a sua missão operacional. Tem a seu cargo extensíssima área onde o inimigo se furta normalmente ao contacto e só se revela pela traiçoeira implantação de engenhos explosivos por emboscadas ou flagelações fugazes. Estas circunstâncias fazem com que haja permanentemente necessidade de procurar o contacto em locais muito afastados, só acessíveis por meio de marchas a pé de enorme extensão por terrenos arenosos, atravessando rios e pântanos, sob o sol ardente ou em noites frígidas, com utilização prolongada de acções de combate. Todas estas incomodidades e perigos têm sido suportados galhardamente pelas tropas que, com um moral elevado e firme vontade, têm amplamente cumprido o seu dever. Todos estes factos fazem com que se entenda ser da mais elementar justiça tornar público este louvor que traduz o apreço que a ZML tem pela valorosa acção dos oficiais, sargentos e praças deste Batalhão”.

    Para o Costa Martins (295/50), aqui fica o discurso do Rei Henrique V às suas tropas, e imortalizado por Shakespeare em Henry V:

    And Crispin Crispian shall ne'er go by,
    From this day to the ending of the world,
    But we in it shall be remember'd;
    We few, we happy few, we band of brothers;
    For he to-day that sheds his blood with me
    Shall be my brother; be he ne'er so vile,
    This day shall gentle his condition:
    And gentlemen in England now a-bed
    Shall think themselves accursed they were not here,
    And hold their manhoods cheap whiles any speaks
    That fought with us upon Saint Crispin's day.

    King Henry, V.iii

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