Há uns tempos atrás reparei que no Vocabulário Colegial (ed. 2005-06), o termo Amaral significa "Bar do Pessoal". Tendo o meu curso sido um dos que ainda chegou a conhecer o Sr.Amaral no seu habitat natural, não poderia por conseguinte, deixar passar em branco esta entrada na nossa gíria interna e mencionar alguns aspectos curiosos para a malta mais nova.

Em pleno período revolucionário do pós 25 de Abril seríamos levados a pensar, que a par do que se passava com muitas unidades militares pelo país fora, os alunos e sargentos poderiam também frequentar o Bar de Oficiais e Professores em estilo PREC.
Negativo! Os alunos só estavam autorizados a entrar no Bar do Pessoal, e era neste bar atrás do balcão que "vivia" o Shôr Amaral. Este local, indicado pela seta encarnada da fotografia, era cerca de meia estrela acima das tabernas típicas de outrora, e frequentado geralmente pelos vigilantes, contínuos e restante pessoal de serviço a quem o Colégio muito deve. Aos alunos era-lhes permitida a entrada para compra de géneros alimentícios, mas não a permanência no dito bar,... a não ser que o Badalo ou o Barnabé estivessem por lá o que gerava sempre uma certa animação com piropos respeitosos e espirituosos à mistura.
Das poucas coisas que estávamos autorizados a comprar eram as famosas pastilhas elásticas Pirata e furos na caixa dos chocolates Regina em que a bola que saía era sempre a encarnada, o que correspondia a um "comacompão" com passas de que nunca ninguem gostava, todavia e em casos de extrema necessidade havia um tabuleiro com bolos de características algo duvidosas e só para aqueles com estômago de aço. Curiosamente também, o Amaral vendia bolachas de baunilha avulso,... diria que era talvez o seu produto de maior "retorno sobre investimento".
Penso que foi por volta de 80/81, que o Bar de Alunos finalmente abriu (com cunhagem de moeda própria) e foi assim que aos poucos, o Bar "do Amaral" se foi perdendo na minha memória.



A partir da abertura do Bar de Alunos, passou a ser proibido aos alunos ir ao "Amaral".
Eu cheguei a ser chamado ao gabinete do Estorninho por ter sido lá apanhado. Estava a comprar tabaco, uma das actividades que só se podiam fazer no Amaral. Em minha defesa, referi que estava lá para comprar uma sandes de queijo-fresco, que não existia no Bar de Alunos. E a peta pegou!
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