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Posts archive for: March, 2007
  • Wellington

    Duke of WellingtonPara aqueles que trabalham nas multinacionais e andam constantemente com o "Head Office" à perna, aqui fica um testemunho de que a mania já vem de longe, como atesta esta carta brilhante do Duke de Wellington em Agusto de 1814, para o Ministério da Guerra em Londres.
    _________________________

    Gentlemen,

    Whilst marching from Portugal to a position which commands the approach to Madrid and the French forces, my officers have been diligently complying with your requests which have been sent by H.M. ship from London to Lisbon and thence by dispatch to our headquarters.
     
    We have enumerated our saddles, bridles, tents and tent poles, and all manner of sundry items for which His Majesty's Government holds me accountable. I have dispatched reports on the character, wit, and spleen of every officer. Each item and every farthing has been accounted for, with two regrettable exceptions for which I beg your indulgence.
    Unfortunately the sum of one shilling and ninepence remains unaccounted for in one infantry battalion's petty cash and there has been a hideous confusion as the the number of jars of raspberry jam issued to one cavalry regiment during a sandstorm in western Spain. This reprehensible carelessness may be related to the pressure of circumstance, since we are war with France, a fact which may come as a bit of a surprise to you gentlemen in Whitehall*.

    This brings me to my present purpose, which is to request elucidation of my instructions from His Majesty's Government so that I may better understand why I am dragging an army over these barren plains. I construe that perforce it must be one of two alternative duties, as given below.

    1. To train an army of uniformed British clerks in Spain for the benefit of the accountants and copy-boys in London or, perchance,

    2. To see to it that the forces of Napoleon are driven out of Spain.

    I shall pursue either one with the best of my ability, but I cannot do both

    Your most obedient servant,

    Wellington

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    *Whitehall - Area de Londres, adjacente ao "Parlamento" onde a maior parte dos Ministérios estão situados.

  • O Coronel Bívar

    Nuno-BivarSe os olhares matassem, tenho a certeza que os Americanos já teriam requisitado o Coronel de Cavalaria Nuno Álvaro de Couto Bastos de Bívar para pôr Bagdade na ordem. Em gíria Inglesa, diz-se que tinha um "don't fuck with me look".

    O Coronel Bívar (ex-aluno 121/43), foi subdirector do Colégio no princípio dos anos 80. O Bívar, como todos os Directores e Subdirectores que passaram pelo Colégio, fez questão de deixar "a sua marca", no seu caso: Os sinais de trânsito. Lá está,... pôr Bagdade na ordem. 
    O único problema, era que havia sinais de trânsito de 10 em 10 metros. Houve inclusive um dia, em que o pobre do 135 Jerónimo ficou sem a sua mota, por ter excedido o limite de velocidade (segundo o método de "feeling for speed") quando de visita ao Colégio num dia de férias para saber a nota de um exame.

    Contudo, o mais surreal dos episodios da "era Bívar", foi o do campo de futebol. Um dos sinais que existia na altura era o da proibição de atravessar o dito campo com botas de trabalho. Ora classicamente, a distancia mais curta entre dois pontos é uma linha recta (ie através do campo para o ginásio) e não uma linha curva (à volta do campo) ainda que de acordo com Einstein e a sua relatividade espacial.

    Foi aí que um belo dia, um colegial já atrasado para uma aula de ginástica, resolveu dar uma corrida através do campo de futebol, pois o benefício de chegar a tempo versus o risco de ser apanhado era demasiado tentador - o momento A da fotografia abaixo. O que o colegial não viu, foi o Coronel Bívar a montar a sua égua, "Palm Beach", no campo de obstáculos adjacente no mesmo momento A.

    No momento B, estabelece-se contacto visual e é aí que o Cor. Bívar saí em "hot pursuit" a galope no seu "Palm Bitch", para apanhar o desgraçado que entretanto já fugia desordenadamente qual fugitivo do famoso campo de concentração Stalag Luft.

    No momento C, ocorreu teoricamente uma repreensão "do alto da mula" ao colegial apavorado e irremediavelmente atrasado, acerca dos danos que as botas da tropa causam no "relvado" do campo de futebol vis a vis os quatro cascos do Palm "Bitch" com o Bívar em cima.
    Um caso de sabedoria colegial !!

    Campo de Futebol (CM)

  • Traumas e Estigmas

    O sexo oposto

    aaacm3A relação com "género feminino" foi uma das mudanças mais evidentes no ambiente Colegial dos dias de hoje. Penso que foi uma mudança para melhor, e a participação das mulheres no desenvolvimento dos catraios da Luz pagará decerto dividendos a longo prazo.

    Por exemplo, ”no nosso tempo” nunca houve uma professora, e as senhoras que existiam faziam parte do pessoal de serviço ao Colégio resumindo-se então às Sras. Roupeiras, das quais ainda hoje sabemos alguns dos nomes como a Lisete, a Cassilda, etc (não! não tenho fotografias) e as empregadas de mesa (Júlia, et al). Ah!... e depois havia a Maria João da biblioteca.

    A menos que se tivesse uma irmã da mesma idade, e preferivelmente com amigas, as únicas pessoas do sexo feminino com que tínhamos contacto ao fim de semana eram as nossas mães. Impensável hoje em dia, mas foi assim que a malta da minha geração do Colégio cresceu,… fascinada com o sexo oposto.

    O caso que para mim relata melhor este facto, era o meu irmão, o 20/77. O 20 adorava todos o grupos de rock existentes na altura (os Doors, Deep Purple, Van Halen) mas, dilema dos dilemas, sabia que com este portfolio musical seria praticamente impossível "conquistar" uma miúda girassa num dos famosos Chá Dançantes, visto que normalmente os gostos musicais destas eram diametralmente opostos e incluiam nomes algo suspeitos como ”Kajagoogoo” e ”Bananarama”.

    Foi então que num belo dia se fez luz na cabeça do 20, e pensou ele que deixando à porta do Chá as suas inclinações musicais poderia aumentar a probabilidade de sucesso com as miúdas a troco de trautear as letras de músicas ditas "girly" préviamente decoradas durante a semana.

    Se assim pensou, assim o fez, e convicto de que não se apanham moscas com vinagre, num dos famosos Chás dou com ele a cantar em pleno playback ”don’t you want me baby” – Human League. Mas que estava rodeado de meninas, lá isso estava.
    E feliz, que nem um puto numa loja de rebuçados.

  • "You've got mail !!"

    Mais uma do fundo do baú. Este postal chegou um dia ao Minho informando que "um puto franzino de calções" - o meu pai - era admitido no Colégio Militar,... segundo despacho de Sua Exa o Ministro da Guerra, em 1949.
    Uma ligeira lembrança de que o Colégio Militar é Português e não Lisboeta!
    388-nota-de-admissao

  • Tradições

    Para mim, é talvez o melhor discurso Colegial dos últimos tempos. As palavras do Presidente da AAACM para os actuais alunos (...e porque não ex-alunos?):

    barretina3Embora não apareça incluída no Programa das Cerimónias Oficiais relacionadas com o "3 de Março", já há alguns anos que se criou a tradição de o Presidente da AAACM vos dirigir algumas palavras no princípio desta manhã. Porquê?
    Porque faz a ligação do passado com o presente e o futuro. Porque representa a ligação entre toda a família colegial neste dia em que comemoramos a nossa origem, e estando ligado à origem é o Presidente da AAACM o primeiro a falar. Surge quase a seguir à alvorada como um sinal de recomeço.
    Em 2006, nesta mesma ocasião, dediquei as minhas palavras aos Ratas e aos Graduados.
    Este ano, irei falar das Tradições. Porque que razão, neste Colégio, têm tanta importância as Tradições? É algo que qualquer aluno ouve e vive desde o dia em que aqui entra.
    São as Tradições que dominam a vida colegial de um modo cego e incompreensível, ou existem nelas objectivos que a todos interessam?
    Numa Casa com uma longa História, como numa Nação ou numa grande Família, a memória e a sua preservação são algo de muito importante para que todos sintam um sentido de pertença colectiva, defendam e se reconheçam em valores e objectivos comuns.
    Assim, as Tradições constituem uma fôrma onde tudo se vai encaixando, cada uma com o seu objectivo, passando de geração em geração e permitindo uma longa linha de entendimento, compreensão e fraternidade entre todos os que aqui estudam ou aqui estudaram.
    Existem três objectivos principais a atingir com a importância das Tradições, o Espírito de Corpo dentro do Batalhão Colegial, a criação de uma infra - estrutura consciente, emocional e de valores comuns, que permite a existência e a perenidade da Família Colegial e a Defesa dos Valores Pátrios.
    Para este último caso, lembro apenas que todas as cerimónias colegiais começam ou terminam com o Hino Nacional e a repetição anual das comemorações do "1º de Dezembro". Somos filhos de uma Nação que, orgulhosamente, o quer continuar a ser. Num mundo em grande mudança, no mundo da globalização em que alguns se convenceram que tudo vai ser igual, todos os dias morrem em desespero, homens, mulheres e crianças que lutam pelo direito de ter uma Pátria.
    Nós, Portugal, somos uma das mais antigas Nações da Europa e os nossos antepassados lutaram com êxito por essa Pátria e, aqui, neste Colégio, nunca deixámos que tal seja esquecido e faz parte da nossa educação diária, numa época em que muitos andam perdidos e confusos.
    Existe todo um outro conjunto de tradições voltadas para a criação do espírito de corpo e de irmandade dentro do Batalhão Colegial, cujos aspectos mais visíveis são, na Cerimónia oficial da abertura das aulas, o abraço do Comandante de Batalhão ao Batalhãozinho e a entrega por este da Espada ao novo Comandante, significando, não só a renovação anual e a linha de continuidade, mas também, o reconhecimento por todos da função dos Graduados e da enorme responsabilidade que tal significa, personificada na figura daquele que representa todo o Batalhão Colegial.
    Mas, como aparecem exteriorizados o Espírito e a Família Colegial entre todas as gerações e com se relembra a Origem que a todos une?
    Isto tem o seu aspecto mais visível no tratamento por TU entre todos os antigos alunos.
    Por que razão? Que significado envolve esta primeira grande tradição? Quando existe e quando se rompe tal tratamento?
    O tratamento por TU só é possível entre aqueles que comungam dos mesmos Valores individuais e colectivos, neles acreditam e os praticam. Por isso a Camaradagem, a Solidariedade, o Espírito de entre - ajuda, o apoio aos mais fracos, a compreensão da importância que tem o interesse colectivo sobre o individual, o amor à Verdade, a Coragem Moral, a Independência de Pensamento e a recusa da Canalhice são o cimento que permite esse tratamento tranquilo e confiante por TU. Quando há uma quebra por alguém destes valores comportamentais, o tratamento por TU já não é mais possível, porque esse alguém se auto excluiu, porque essa confiança tranquila, mesmo em quem não se conhece, foi despedaçada.
    Por tudo isto o tratamento por TU é mais que uma tradição a preservar, é um acto de reconhecimento mútuo e de orgulho nos valores e nos comportamentos em que acreditamos.
    A outra grande tradição é o retorno anual à essência desta Escola com a comemoração pública e com uma alegria sempre renovada do "3 de Março", origem que a todos une. Não só em Lisboa com as grandes cerimónias que neste fim de semana repetimos, mas um pouco por todo o mundo este Dia é comemorado em conjunto, desde que existam, no mínimo, dois antigos alunos. E quando digo em todo o mundo, é mesmo em todo o mundo, é uma verdade que os mais velhos conhecem bem.
    Sobre este Colégio alguém, que aqui não estudou, escreveu recentemente "Nos tempos de incerteza e relativismo em que vivemos, as sociedades precisam de Instituições com estabilidade e protagonismo, que constituam âncoras dos valores essenciais e sirvam de referência para outras estruturas mais débeis e mais voláteis" e mais adiante "A identidade é indissociável da tradição e da memória, partilhadas com a abertura ao diferente e à mudança, como algo que combina estavelmente permanência e evolução, sendo um elemento fundamental de uma cidadania responsável".
    Por isso aqui estamos novamente, por que somos úteis à Nação e não estamos perdidos não deixamos que nos destruam ou que nos abalem, por isso as Tradições são essenciais numa Comunidade que ao longo de 204 anos deu a este País alguns dos seus filhos mais ilustres e muitos que ao serviço da Pátria e da Comunidade Nacional dedicaram toda a sua vida.

    Lisboa, 3 de Março de 2007

    O Presidente da AAACM

    José Eduardo Garcia Leandro
    Ten-General
    (94/1950)

  • 3 de Março em 3 etapas

    De volta a terras Nórdicas, depois do grande "happening" Colegial do 3 de Março, é com grande saudade que revejo alguns dos momentos mais catitas do fim de semana passado.

      Jantar-Mar-071a Etapa: No dia 2 de Março à noite, como tinhamos combinado "electronicamente" tivemos um grupo bastante animado de 19 convivas, foram eles o 9, 15, 17, 30, 64, 68, 101, 124, 133, 149, 237, 343, 414, 420, 447, 498, 507, 537, 686. O 414 e o 124 que já não apareciam há uns valentes anos aproveitaram a oportunidade para pôr a escrita em dia. Ficámos também todos a saber pelo 64 - Bebecas, quantas latas de Coca-Cola são necessarias em Luanda para convidar uma donzela para dançar e por aí fora... A conversa continuou toda a noite à porta da Portugália e mais tarde para os "die hard" no BBC com G&T à mistura. Lisboa está na mesma.

    3 do Tres 20072a Etapa: O desfile. Definitivamente mais malta do que no ano passado, o que é sempre um prazer enorme. 
    Reparei que alguns já começaram a trazer os seus filhos à "catequese" (74-Mendes e 123-Saldanha),... a continuar assim certamente que não teremos falta nem de qualidade nem de quantidade nas admissões ao CM.Ginginha
    A Ginginha como sempre, garante o fornecimento de energia para recompor aquelas calorias gastas ao descer a Avenida, contudo dada a noitada do dia anterior, a opção "Pastelaria Suiça" pareceu ser a mais indicada para várias famílias à que eu obviamente me associei.
    O desfile correu muito bem, só podia. Devem ter sido infindáveis voltas ao Colégio a marchar, mas algo curioso que notámos foi o facto de agora só se bater com um calcanhar no chão. Assumindo que o Gin da noite anterior não estava marado, devo confessar que acho bastante "foleiro", provávelmente mais uma moda ditada pela NATO.

    Billede 0053a Etapa: O Jantar de Ex-Alunos no Domingo. Onde encontramos de uma assentada, aqueles que säo do "nosso tempo", os que foram nossos graduados e aqueles de quem nós fomos graduados. Como podemos constatar aqui ao lado, o ar de contente do 420-João Costa reflecte a sua oportunidade anual de comer "Amarelo de Carne", já ao lado o 537-Pedro Amorim parece que não come há um ano,... nem sequer Amarelo. A noite terminou na sala de Oficiais nos Claustros com alguns "digestivos" e uma sessão da classe especial de ginástica cujas estonteantes piruetas foram suficientes para me tirar qualquer vontade de repetir a dose de wiskey.

    De volta a IKEAland, usei as infindáveis 5 horas de viagem para folhear o "Quem é Quem" em que descobri algumas curiosidades e aproveitei também para rever algumas peças do baú de recordações do meu irmäo de que me apropriei indevidamente para fins "bloguísticos".   

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