No meu último ano no Colégio, por ocasião do aniversário de um curso, lembro-me de um ex-aluno "da velha guarda", que declarou dogmaticamente: "um curso não é um curso sem o seu Comandante de Batalhão”!

Bem,… talvez no "tempo dele",… ou então depende, se falarmos de curso enquanto alunos ou de curso quando já ex-alunos.
Pelas fotografias que vi da ”Grande Reunião de Antigos Alunos”, devo confessar uma certa tristeza pelo reduzido número de participantes face a uma agenda recheada de conteúdo bastante importante para a actividade associativa.
Os Comandantes de Batalhão (CB), alegadamente contactados individualmente pela AAACM, auto excluíram-se deste processo, desta reunião. Pela lógica do ex-aluno ”da velha guarda”, se não há CB muito menos há um curso e daí a ”paisagem” observada no dia 19. Nada mais errado.
Para mim, o equivoco uma vez mais, reside na diferença entre a percepção do que é ser um líder versus a realidade do que é ser um CB.
Um CB não é necessariamente um líder, porque ser líder é ter outra dimensão como ser humano. O aluno que aceitou exercer um cargo de chefia (CB) aceitou também a limitação de si mesmo como ser humano e a limitação de todos os que o cercam, com o objectivo de tratar tecnicamente de tudo no dia-a-dia colegial. O CB, tal como o conhecemos, é um técnico que se dispôs a realizar determinado trabalho por intermédio de todos os alunos (e não alunos) que o rodeiam. O líder é um ser humano (CB ou não) que se dispôs e assumiu a realização de uma missão com as pessoas. O conceito de comandante e líder são divergentes e quiçá incompatíveis, pois o líder não é um comandante melhor, mas sim uma outra forma de ser, viver e se realizar.
A motivação do CB é material, portanto, temporal; a do líder é espiritual, portanto, atemporal. O CB quer que as coisas sejam feitas da forma certa; o líder quer que as coisas certas sejam feitas, não importando de que forma.
Säo competências diferentes, o que significa dizer que em alguns momentos a chefia é a melhor solução, e em outros a liderança é a melhor alternativa.
O poder do CB reside no seu cargo enquanto aluno; o poder do líder reside nele mesmo - o que significa que para o exercício da liderança não é absolutamente necessário ter cargo, basta ”ser”,… ex-aluno.



O texto está genial, porque consegue explicar a situação sem responsabilizar os CBs por ela.
De facto, os CBs não eram escolhidos por serem líderes nem para serem líderes, mas sim para passearem as suas medalhas nas cerimónias oficiais e manterem o curso mais ou menos sob controlo, sob pena de "arderem" as medalhas do último ano.
Em muitos casos, os CBs eram preparados "de pequeninos" para esse papel, recebendo reforços pelo seu comportamento individual - medalhas, referências elogiosas, etc - e não reforços pelo desempenho do colectivo.
Em alguns casos, havia um líder claro no curso nos últimos anos do Colégio, e esse líder não era CB, o que fazia com que houvesse um líder "de facto" e um líder "de direito".
A ausência de um compromisso com o colectivo, e uma vivência colegial "demasiado certinha", serão possivelmente os factores responsáveis pelo afastamento dos CBs do Colégio.