Sr-XavierO trabalho desempenhado pelos vigilantes era uma condição necessária e essencial ao bom funcionamento do regime de internato. Foi preciso eu chegar aos 40 e tal anos para constatar tal facto.
O Colégio à noite, nunca ficava unicamente entregue ao Oficial de Dia ou aos graduados.

Eram os vigilantes que tomavam conta dos aspectos mais "administrativos" da noite, tal como as rondas nocturnas para saber se estava tudo bem e especialmente se "não faltava ninguém". Esta última, era uma tarefa bem ingrata pois eram eles que na maior parte das vezes descobriam as nossas traquinices que invariavelmente acabavam, salvo raras excepções, no gabinete do oficial de dia.

Uma certa noite, o Xavier apanhou-me em flagrante na piscina mesmo quando me preparava para regressar à base depois de uma boa sessão de cabritisse aquática. Da malta toda que por lá saltava, eu foi o único a quem ele conseguiu deitar a mão. Não resisti e resignei-me ao facto de que "fair-play" poderia eventualmente atenuar o castigo eminente.
 
Vai daí que me levou (de mão dada!) até ao gabinete do Oficial de Dia. Quando lá chegamos o Xavier fez questão de me entregar quase como se de um troféu de caça se tratasse, mas ao memo tempo e para minha grande confusão, fez também de meu advogado de defesa para impedir que a ira do famoso Cap. Caetano se abatesse sobre mim.
E lembro-me que tal foi a sua eloquência que o próprio Caetano se virou para o Xavier e disse: "-oh Xavier! Nem a minha mulher defende os filhos tão bem".

Claro que levei os pontos da tabela, mas talvez não tantos como previa,... e o Xavier lá foi tranquilo com a sua consciência de trabalho bem feito na certeza de que o "shôr" aluno não teria ficado muito chateado.